No dia 18 de setembro de 2026, a equipe do RICOCHET, o sistema contra trapaças de Call of Duty, publicou no blog oficial um texto sobre o mercado que existe por trás das trapaças em Modern Warfare 4 e Black Ops 7. A ideia central é simples: quem trapaceia não é só um jogador isolado, é cliente de um negócio inteiro, com vendedores, revendedores, assinaturas e contas compradas. Este artigo, escrito pela equipe do SequeLariCOD com palavras próprias, resume o que o post explica e por que trapacear é uma péssima ideia, inclusive para quem trapaceia. Aqui não ensinamos nada sobre trapaças: só explicamos como o combate funciona.
Um mercado, não um jogador sozinho
Segundo o post, as trapaças são sustentadas por uma economia de vendedores, ferramentas com nome trocado, contas ilegais e lojas que coletam dados dos próprios clientes. O RICOCHET diz que ataca esse negócio em vários níveis ao mesmo tempo: a estrutura técnica, a distribuição e as pessoas que comandam as vendas. As ferramentas citadas são detecções no jogo, segurança das contas, a exigência do TPM 2.0 no computador, investigações e ações na Justiça.
Para mostrar o tamanho do problema, o post cita uma análise de fevereiro da empresa de inteligência Intorqa, que estimou em cerca de 3,5 bilhões de dólares por ano o que as assinaturas de trapaças movimentam em 15 jogos, e em cerca de 8,5 bilhões quando se somam serviços paralelos, como venda de contas. São estimativas de uma empresa de fora citadas pelo post, não números da Activision.
Como esse mercado é organizado
O post descreve uma pirâmide. No topo estão os desenvolvedores das trapaças, que costumam se esconder atrás de revendedores e de equipes de atendimento. Abaixo vêm os vendedores principais, que vendem direto e abastecem os revendedores, e depois camadas e mais camadas de revenda que empurram o mesmo produto por várias lojas ao mesmo tempo. A equipe do RICOCHET diz acompanhar centenas desses vendedores.
Os resultados que o post apresenta: mais de 375 operações de revenda desmontadas, mais de 80 notificações extrajudiciais para parar as vendas e ajuda para fechar 31 vendedores principais. As ações na Justiça miram o dinheiro, os meios de pagamento e as parcerias desses negócios. Para o jogador comum, isso aparece como trapaças que param de funcionar ou como um trapaceiro que não consegue voltar à partida. O post conta, com certa ironia, que os vendedores costumam explicar essas quedas aos clientes com desculpas de doença ou de acidente.
Os três pilares: trapaças, contas e fuga do banimento
O RICOCHET divide o mercado em três partes que dependem uma da outra:
- Trapaças: programas que mudam o jogo, ferramentas de desbloqueio e até aparelhos externos ligados ao computador ou ao console. São vendidas por assinatura mensal ou semanal, com propaganda de 'privada' ou 'exclusiva'. O RICOCHET usa detecções técnicas para achar programas não autorizados e sistemas que analisam o jeito de jogar ao longo do tempo.
- Contas: quem é banido precisa de outra conta, e por isso existe um comércio de contas roubadas, contas antigas e serviços de subir de nível por terceiros. O post cita uma pesquisa com 10 mil jogadores em que um em cada três disse ter tido a conta invadida nos dois anos anteriores. A resposta do RICOCHET é exigir a verificação em duas etapas, que protege as contas de verdade e diminui a oferta de contas roubadas.
- Fuga do banimento: programas que tentam esconder o computador de quem já foi banido. O post diz que as detecções e exigências de segurança, como a verificação do computador antes da partida (TPM 2.0, Secure Boot e a confirmação remota), dificultam esses programas, e que o banimento por equipamento melhorou: foram mais de 70 mil banimentos de equipamento novos no mês anterior ao post.
A falsa variedade e os golpes entre os próprios vendedores
Um ponto curioso do post é que muitas trapaças 'diferentes' são o mesmo produto com outro nome ou outra marca. Revendedores compram, reaproveitam, modificam ou até roubam o código uns dos outros e vendem de novo. Isso confunde os clientes, espalha as conversas sobre banimentos por várias comunidades e dá a impressão de novidade onde não há.
Essa confusão também abre espaço para golpes. O post cita o golpe de saída: o vendedor recebe os pagamentos, some, troca de nome e abre outra loja. Ou seja, até dentro desse mercado quem paga corre o risco de ficar sem nada.
O que o trapaceiro entrega sem perceber
Esta é a parte mais importante para quem é jovem e recebe ofertas de trapaça. O post explica que, para usar esses programas, o cliente muitas vezes precisa desligar proteções do próprio computador, o que deixa a máquina exposta. Algumas comunidades de venda pedem verificações que revelam o endereço de internet, contas ligadas, dados do equipamento, e-mail e dados de pagamento, e alguns vendedores chegam a pedir foto de documento. O post também diz que desenvolvedores de trapaças colocam programas maliciosos dentro dos próprios produtos.
Em outras palavras: além de arriscar a conta, quem compra trapaça entrega dados pessoais e o próprio computador a desconhecidos. Se alguém oferecer trapaça, conta pronta ou 'itens grátis', a atitude certa é não clicar, não pagar, não passar dados e contar a um adulto de confiança. A página Jogue com segurança do SequeLariCOD reúne os links oficiais de controle parental e de denúncia.
Trapacear custa caro e cada vez mais
O post diz que uma assinatura de trapaça custa em média cerca de 40 dólares por mês e pode passar de 100 nas mais caras, e que os programas de fuga do banimento cobram à parte. Somando tudo, uma pessoa pode gastar mais de mil dólares por ano, e os aparelhos especiais aumentam ainda mais a conta. A estratégia do RICOCHET é aumentar esse custo com várias camadas de proteção, para que trapacear deixe de compensar. Cada trapaceiro removido leva o próprio dinheiro embora do mercado, o que enfraquece os vendedores.
O que isso muda para quem joga limpo
- Ative a verificação em duas etapas na sua conta Activision: é a mesma proteção que o RICOCHET usa contra o roubo de contas.
- No computador, o Modern Warfare 4 pede TPM 2.0 e Secure Boot; o artigo de requisitos do site explica o que é isso.
- Nunca compre, venda nem empreste contas: além de contra as regras, é um dos caminhos mais comuns de golpe.
- Desconfie de qualquer oferta de trapaça, desbloqueio ou moeda grátis: o post mostra que esses vendedores coletam dados e espalham programas maliciosos.
- Denuncie quem trapaceia pelas ferramentas do próprio jogo.
O post termina dizendo que esse mercado muda o tempo todo, e o RICOCHET também. Para conferir os detalhes, leia o texto original no link abaixo; ele está em inglês.